Imigrantes explodem bomba em protesto contra Lei de Migração

Sírio e libanês foram presos em flagrante em "atentado terrorista", caracterizaram policiais

SÃO PAULO ─ Um imigrante sírio e um descendente de libaneses, além de dois brasileiros, foram presos em flagrante na Avenida Paulista na noite desta terça-feira (2) por atacarem manifestantes que protestavam pacificamente contra o projeto da Lei de Migração. Por volta de 20h30, na altura da Estação Consolação de metrô, uma bomba caseira foi lançada no meio das pessoas ─ uma delas teve a perna queimada e outra ficou gravemente ferida com a explosão. Em seguida, cerca de 15 agressores partiram para cima dos manifestantes, deixando pelo menos outros sete feridos, sendo um idoso e duas mulheres. Um policial militar também foi agredido, informou a Polícia Civil.

Ao ataque sucedeu-se uma correria, mas policiais militares interviram rapidamente, utilizando bombas de efeito moral e imobilizando e detendo seis pessoas sob aplausos dos manifestantes, que bradavam “Viva a PM”! Outros conseguiram fugir. Com exceção do sírio, que foi conduzido a um pronto-socorro, os detidos foram levados para o 78º Distrito Policial, em Jardins, onde dois deles foram averiguados e liberados. Também na unidade, as vítimas passaram por exame de corpo de delito.

Um dos presos é o comerciante de origem libanesa Hasan Abdul Hamid Zarif Hasan, 43 anos, líder do movimento Palestina para Todos — vinculado a organizações comunistas —  e dono do bar Al Janiah, um reduto muçulmano na localidade Bexiga, no centro de São Paulo. Os outros três são o “refugiado” sírio Nour El Deen Alsayyd, caixa do referido bar, 22 anos, e os brasileiros Roberto Antônio Gomes de Freitas, 18, e Nikolas Ereno Silva, 22, autônomos. Com eles, foram apreendidos uma segunda bomba, impedida a tempo de ser detonada, e armas como facas, um martelo de ferro e um soco inglês. Eles responderão por 12 crimes, dentre eles explosão, lesão corporal, associação criminosa e resistência, conforme o boletim de ocorrência, disponibilizado pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo.

Nos registros dos agentes de segurança, que também citam um vídeo que capturou o arremesso da granada caseira apresentado pela advogada das vítimas, Hasan Abdul Zarif é apontado como o autor do arremesso do explosivo e Nour Alsayyd como quem o acendeu e também quem acertou depois um golpe de jiu jitsu num dos PMs. Nour está no país há apenas dois meses e necessitou do auxílio de um tradutor para o idioma português. Os dois autônomos foram flagrados espancando manifestantes, incluindo mulheres, com socos e chutes. Ainda conforme os registros, apoiados em imagens e oitivas, a emboscada e os crimes foram premeditados. De acordo com policiais no local, os materiais e elementos reunidos caracterizam o ataque como um ato de terrorismo.

Manifestantes protestaram pacificamente na Paulista, ainda em frente à Gazeta, contra o projeto da nova Lei de Migração (Daniel Borges, para Epoch Times)

Manifestantes protestaram pacificamente na Paulista, ainda em frente à Gazeta, contra o projeto da nova Lei de Migração (Daniel Borges, para Epoch Times)

Prontamente, fizeram-se presentes no distrito policial 20 advogados de defesa dos indiciados — que admitiram se conhecerem anteriormente mas alegaram que apenas se defenderam, apesar de não apresentarem lesões e/ou não saberem apontar os supostos agressores — e um representante da Comissão de Prerrogativas da OAB teve de ser convocado para auxiliar na interlocução. Eles serão encaminhados para audiência de custódia no Fórum Criminal da Barra Funda enquanto Nour Alsayyd à uma unidade da Polícia Federal.

Durante os registros da ocorrência, agentes do Grupo de Operações Especiais (GOE) e do Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (GARRA) também tiveram de ser acionados diante de uma agitação súbita na porta do DP de cerca de 50 militantes da “causa palestina” e do PSOL, que, aos gritos de “fascistas”, tentaram invadir o distrito, intimidando as vítimas e exigindo a liberação dos detidos.

Membro da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal de São Paulo, a vereadora Sâmia Bomfim (PSOL) tentou intervir pela manhã em favor dos criminosos e co-articulou militantes para exercerem pressão na delegacia e no fórum. Num vídeo gravado na porta do distrito e divulgado nas mídias sociais, a socialista não manifesta interesse algum pelos direitos humanos das vítimas. Em vez disso, se mostra incomodada diante da ausência de flagrante contra as vítimas.

Um dos agredidos, o advogado criminalista Everton Sobário, disse que só não apanhou mais porque foi defendido pelos colegas. Ele estava discursando quando a bomba estourou.

“Só quando ouvimos a explosão é que fomos perceber a ofensiva. Cerca de 20 gângsters, com soco inglês e pedaços de ferro, foram para cima do movimento. Eles agrediram mulheres, idosos, menores de idade e trabalhadores, como eu e outros, que estamos aqui prestando queixa”, descreveu, exibindo as marcas dos socos que sofreu no rosto, o ferimento na boca e a lesão na perna por ter sido empurrado ao chão.

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“Eu estou indignado, nós estávamos num ato pacífico contra a Lei de Migração. Eu, brasileiro, fui agredido no meu próprio país por estar defendendo a minha nação. Aqui no DP, soube que um dos agressores é estrangeiro islâmico de origem árabe que nem português fala.”

E apelou ao presidente Michel Temer. “Presidente Temer, vete agora (o projeto da nova Lei de Migração), o Brasil não aguenta mais ver brasileiros sendo agredidos dentro da nossa própria nação. Mais do que nunca, vou às ruas, porque eu fui agredido como brasileiro dentro do meu país, e não aceito isso!”

Dois dos cinco estrangeiros detidos na Paulista por agressão em protesto contra a Lei de Migração e à polícia e por porte de armas (Daniel Borges, para Epoch Times)

Dois estrangeiros detidos em flagrante na Avenida Paulista por explosão, lesão corporal e associação criminosa (Daniel Borges, para Epoch Times)

Sobário criticou também a ausência da mídia brasileira tradicional. “Era para a Veja, Estadão, Folha de SP estarem todos aqui (no DP). Não tem nenhum (veículo). Por quê? Porque isso não interessa para eles”, manifestou.

E retomou. “Você quer discutir? Você quer discordar do que eu penso? Discorde, mas discorde e venha “brigar” comigo no campo de ideias, não no campo das agressões”, desabafou.

O advogado informou que esta é a segunda vez que foi hostilizado por indivíduos raivosos. A primeira, segundo ele, foi na primeira versão do protesto, realizada semana passada, quando, conta, sofreu ameaças e foi encurralado “por três meliantes” avantajados.

“Mais do que nunca, nós estamos aqui firmes e fortes e vamos continuar nessa luta”, encerrou.

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Organizado pelo movimento Direita São Paulo e com adesão do movimento Juntos pelo Brasil e de cidadãos diversos, o protesto teve início às 19h com a concentração de cerca de 100 pessoas em frente ao prédio da TV Gazeta, também na Avenida Paulista, na região central de São Paulo.

Aproximadamente às 19h20, portando cartazes onde se lia “Soberania não se negocia, Brasil em primeiro lugar! #VetaTemer”, os manifestantes marcharam pacificamente até o edifício do gabinete da Presidência da República, onde pediam o veto do presidente Temer, quando, cerca de 20h30, o artefato explosivo foi lançado, seguido do ataque de força bruta.

Por volta das 20h40, a manifestação já havia se dispersado. O cientista político e co-fundador do Movimento Liberal Acorda Brasil Luiz Philippe de Orleans e Bragança também participou do ato e acompanhou as vítimas no DP.

Proposto em 2015 pelo atual ministro das Relações Exteriores e então senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), o texto da nova Lei de Migração aguarda a sanção ou o veto do presidente Michel Temer. Os manifestantes lembraram o passado terrorista de Nunes, que atuou durante o regime militar como motorista de Carlos Marighela, comandante do grupo terrorista Ação Libertadora Nacional.

Esta foi a segunda marcha contra o projeto legislativo. A primeira reuniu cerca de 200 pessoas, segundo os organizadores, no dia 25 de abril passado e percorreu o mesmo trajeto, tendo sido precedida de atos em frente às residências paulistanas de Nunes e de Temer. Também na semana passada, trinta movimentos civis encaminharam uma carta a Michel Temer instando-o a vetar a nova proposta legislativa.

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